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Cidade vazia

Eram cinco da manhã, o cigarro já havia acabado, a bebida também, sem contar a si mesma. Estava um lixo... por dentro e por fora. Marilyn foi caminhando rua a fora, sozinha com seu salto alto e sua segurança baixa. Pegou o táxi, informou o destino e encostou sua cabeça ao observar tudo pela janela do carro. O dia estava frio, vago e na sua mente vinham lembranças de quando ela fazia esse mesmo percurso, porém, ao invés de estar dançando, bebendo e fingindo se divertir sozinha, ela estava com o amor da sua vida. Ainda era esquisito andar por aí e se preencher das coisas mundanas achando que iria voltar pra casa satisfeita, porque no fim só sobrava ela e um monte de recordações. Começou a reparar no quanto a cidade era vazia, mas não tanto quanto seu coração. Aquele ar gelado de um dia frio que acabara de começar a matava por dentro. A pobre Marilyn sempre foi assim: preenchia seu lastimoso tempo com isso tudo que ela chamava de diversão e quando acabava tudo, voltava a ver sua vida ...

Qual o segredo da felicidade?

Olha, eu não sei. Mas, definitivamente não é ficar só pra se viver... E também não se trata só da "questão solidão", se trata do quanto estamos de bem conosco. Esse clichê de que cada ser humano tem seus motivos e sua missão aqui na terra é verdade verdadeiríssima. Só que a gente não entende que nós mesmos temos que descobrir qual é o trunfo disso tudo. A gente fica esperando respostas, sejam divinas, sejam terráqueas; elas não virão. Eu, particularmente, tenho buscado dentro de mim esses motivos para ser feliz. Tenho desencanado de muita coisa que me pesava, na verdade. Sinto dizer que essas coisas realmente demoram a acontecer comigo, mas quando acontecem, fico um tanto realizada. Não direi que sou plenamente feliz, porque estarei mentindo. Felicidade na minha vida é um karma que não consigo segurar por muito tempo... e de tanto pensar, descobri que minha busca por ela não é direta, é através de planos. Sim, eu tenho planos. Soa irônico uma pessoa sem perspectivas de vi...

Sobre a vontade e o medo

Querido blog, Tenho, com o passar dos dias, menos vontade. Tipo, de tudo. Crescer, ser, conversar, amar, estudar, trabalhar, viver... Uma imensidão de verbos que acho que nunca conseguirei tirar do infinitivo. Porque me falta vontade. Seria bonito se lá na frente, eu olhasse pra trás e risse de tudo, mas já faz tempo que eu não rio. Eu já testei essa hipótese, mas é falha. Hoje refleti um pouco mais e vi que me ocupo de coisas profanas, tendo em vista que isso tudo é em busca de calor. Seja humano, seja material, ou não sei... mas que me esquente. Faça sentir-me um ser vivo ou até mesmo um boomerang, que você arremesse lá no fim do mundo mas ele saiba bem o caminho de volta. Eu não percorro nem o caminho da ida. Fico presa, estagnada nas mesmices. E quando eu penso que posso estar no caminho certo, eu me cubro de medo. Medo de tudo, principalmente das pessoas. Ando assustada, não quero mais que você ou ele ou ela saibam o quanto eu gosto de vocês, o quanto eu sinto. Porque nunca ...
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Era uma vez, duas almas contra o resto do mundo. Talvez, o fato de estarem juntos não significasse muito, mas sim a sintonia que havia. Era perfeita simetria... Coisa de ela estar pensando em uma música e de repente ele lhe envia uma mensagem com aquele trecho, coisa de olhar um pro outro e entender o diálogo que se transmite sem a fala. Declarações de amor mudas, onde se sabe a reciprocidade quando eles se entreolhavam e ficavam vermelhos de tanta vergonha. Ali surgiu um "eu te amo" que só uma espécie de plano cósmico seria capaz de capitar.  Poesia e flor que um dia perde a graça e murcha. Mesmo que seja de repente, mesmo que seja apenas para um deles. Tudo virou de cabeça pra baixo do dia pra noite e o que era realização virou só desejo.  Ela foi abandonada sem mais explicações que por mais que ela perdesse tempo tentando entender, não fazia sentido. E quanto mais ele explicasse, mais rancor ela criava.  "Como eu que me protegi tanto, deixei-me ferir desse jeito?...

Sem título, só palavras

Queria ter pulso, coragem e maneiras para contar toda a verdade que me persegue. Estou sempre procurando palavras que se encaixem na minha realidade, nos meus dizeres, mas acaba sempre soando ridículo ou dramático, ou até mesmo irreal. Às vezes acho que tudo que sinto é isso. Irreal. Mas pode ser real demais para o meu entendimento também. A cada dia mato o tempo com pensamentos. Muitos deles são um tanto inúteis, sobre a vida que eu tenho, a que eu teria se agisse de determinada forma e da que eu gostaria que fosse daqui há um tempo. Me perco em imaginações, mas não viajo em terras desconhecidas, sei bem o que pode ou não chegar ao meu alcance. Minha vida é ociosa, é triste, cheia de um vazio sem fim. Perco vinte-e-quatro horas com nada. Eu tenho que mudar isso. Quando tento fazer algo, só me resta no fim um copo de bebida no qual sinto um alívio, mas ao amanhecer só me traz tristezas em dobro. O que é isso afinal que eu denomino como “viver”? Não é muita coisa de fato. Todo mun...

About a girl...

Morena, tá tudo bem? Ela adorava essa música, mas também adorava se auto-perguntar isso. Menina crescida com conceitos que para sua idade seriam um tanto exóticos (pra não dizer estranhos), ela sempre dizia que realmente tava tudo bem. Pois pra ela, o pouco era suficiente, mas ela não entendia que quando se quer mais e mais, se satisfaz muito melhor. Nada de ambição, é só a coisa do querer e da vontade. A garota não tinha. Às vezes, sorrateiramente, a vontade de viver desaparecia. Vez ou outra ela bebia pra esquecer isso e sorria um pouco, fumava um cigarro, procurava por gente bonita... No outro dia, a ressaca a fazia se sentir inútil, daí lá ia ela com aquela vontade que aparecia do nada, procurar ser alguém nessa vida. Depois desanimava. Ciclo vicioso sem sentido. Certo dia, ela começou a entender que faltas externas eram ponto forte para o seu declínio, mas a queda maior vinha de dentro. Amor, dinheiro, amigos, vida social, estudos... tudo isso faz falta, mas também não adianta, ...

Ainda bem que eu sou eu.

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Auto-decepções à parte, se não nos  orgulhássemos  de quem somos nem que seja um pouquinho, estaríamos fudidos. É engraçado eu dizer isso, pois sou uma pessoa auto-depreciativa, sem paixão nem apego algum pelo que sou. Mas às vezes me comparo com algumas pessoas que conheço (isso pode soar um pouco modesto mas não é) e percebo... Acho que toda essa falta de amor próprio me torna humilde, logo, passo a me amar por ser assim. Tem pessoas que não se importam com o outro, ou demonstram um orgulho idiota fingindo não se importar porque acham que isso é "moda", é superior, é mais você. Eu posso não demonstrar por timidez ou medo de uma reprovação maior, mas me importo com as pessoas. Talvez esse seja meu pior defeito ou qualidade mais sofrida, mas o fato é que odeio pessoas que não enxergam um palmo à frente do nariz. É tão bonito emprestar um pouco de si pro outro, deixar de ser egocêntrico, seco e maldoso para compartilhar algo com quem você gosta, ou alguém que simplesmente n...