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Sobre alguns casos de amor por aí...

Pedro tomou nota de tudo que estava atormentando-o. "É melhor encher várias folhas de papel, elas suportam mais do que a minha cabeça.." pensou ele.  Sem muitas introduções, vomitou: "Que merda, ju.... o que foi que tu fez comigo? Eu tô na merda. Sério mesmo, você tem sido um fantasma durante anos que vem justo quando eu preciso dormir em paz. Queria que você soubesse disso, mas talvez eu não te entregue essa carta porque eu te conheço e sei que era pra você se sentir horrível por pegar um sentimento cheio de pureza como o meu e ter jogado fora, mas vc vai se sentir bem. Seu hobby. Tô tentando ficar bem, mas não sou mais o mesmo, eu devia ter vergonha na minha cara por ainda pensar em vc, mas tenho certeza que eu tô tendo aos poucos. Só o fato de te achar um lixo de pessoa, já é um começo. É engraçado como as pessoas misturam as sensações opostas, por exemplo: você dizia que me amava, mas enjoou da minha cara, nem tentou e fudeu com tudo sem pensar, mas eu nao ...

Sobre uma carta para minha mãe...

Oi mãe, como você tá? Quando faço mentalmente essa pergunta, imagino sua voz me respondendo "tô mais ou menos, minha filha. E você?" Se lembra que esse descontentamento com a vida era até motivo de risada entre a gente? E motivo de discussão também, claro. Mas, eu realmente espero que a senhora esteja bem. Bem demais. Respondendo à sua pergunta, por aqui tudo vai indo. Não sei se a senhora percebeu, mas ando meio insegura. Queria entender como vai ser daqui pra frente, pois tenho medo de mim e do mundo e mesmo que eu já fosse dona do meu nariz, enquanto a senhora esteve aqui, tinha em sua presença a segurança de voltar pra casa. Hoje, completa um mês que fostes vencida por uma guerra contínua, de onde saem poucos sobreviventes. Às vezes, parece que foi ontem quando se trata do tempo que não passa (é, ele virou meu inimigo) e às vezes, quando se trata da falta, do costume ao ler suas mensagens no whatsapp, de esperar seu telefonema pra me contar fofocas dos famosos ou de qu...

Sobre uma tarde ensolarada...

Pela janela do terceiro andar eu vejo um dia tão bonito... Coqueiro balançando contra o vento, as ondas da praia indo e vindo e o sol fazendo seu percurso diário e brilhante. Só eu que não me mexo. E você, muito menos. Mas nem ondas, nem coqueiros, nem nada acalmam um coração apertado, o que ainda alivia um pouco é olhar seu peito subindo e descendo enquanto a respiração percorre. O que conforta é parar pra pensar e admirar tua força que você nem faz ideia que tem, é conversar contigo em silêncio e saber que você entende tudo aquilo e que mesmo sendo o alvo do sofrimento, a tranquilidade é a tua maior aliada. E o coração segue sem caber mais nada de tanta angústia, sem saber mais o que enviar pra boca te responder quando você pergunta quando isso vai passar. Vai passar, tudo passa. Até quem a gente ama.

Sobre envelhecer...

Um dia desses parei pra pensar no que a gente começa a entender quando completa metade de meio século. Comecei a entender que sou jovem, me sinto jovem. Estou na melhor fase de minha jovialidade e talvez, eu entre em fases melhores  quando eu começar a aceitar que também sou adulto. Me conforta saber que todos passam, passaram e/ou passarão por isso. Me incomoda saber que daqui por diante os problemas serão cada vez mais sérios. Me estimula imaginar que meu futuro sou eu quem faço, mas me amedronta em pensar: "Como eu o farei?" Passei a entender melhor os adultos, as famílias e suas (des)estruturas e me senti triste por elas, achei que fosse algo absoluto. Quis correr pros braços da minha mãe e chorar, pois não adiantava eu querer mudar o mundo   com as próprias mãos, depois entendi que isso também não adiantaria... eu mal cabia no colo dela! Me vi pagando contas, fazendo cartões de crédito, entrando em bares sem mostrar a identidade... Me vi começando a entender...
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Era um dia vinte e dois. Mais precisamente de outubro de dois mil e quatorze. Meu corpo ardia em febre e eu mal conseguia abrir os olhos, mas estava em pé. Talvez, o meu coração não estivesse tanto assim. Quer dizer, ele estava tentando se levantar depois de muitos tiros, facadas e maus tratos... Lembro-me que foi um dia como outro qualquer, embora a fraqueza tomasse conta de mim, foi a última vez que me senti assim e espero não sentir-me de novo nem tão cedo. Quando eu finalmente me livro de minhas obrigações, ainda me restava mais um compromisso e não, eu não queria ir. Eu mesma me pedia cama, mas eu não podia me acudir. Fui. Sem saber o que me aguardava, cheguei ao que deveria ser pelo costume da coisa, a continuação de meu tedioso dia. E aí recebo um vídeo, o qual devo assistir atenciosamente. Vídeo este que mudaria a minha vida daquele instante em diante. No qual, foi exposto para mim de uma forma que nunca presenciei, tamanho amor e importância. Minha recordação bu...

Para quem precisa de si...

Uma vez sai de mim e me vi num local cheio de gente, mas eu me sentia com medo e só. Que problema é esse que quanto mais pessoas ao redor, mais amedrontado a gente fica? Não é fobia não, tenho certeza, é limitação. Problemas internos, chamem o suporte técnico. Refleti o cansaço que nos compõe de diversas formas, e principalmente, aquele que vem me consumindo. Cheguei à conclusão de que sugar o problema alheio para si não faz de você uma pessoa melhor. Muito pelo contrário, faz de ti um ser humano negativamente altruísta. Isso quer dizer que o egoísmo é bom? Não, não quer dizer. Significa dizer que colocar-se em primeiro lugar te prepara melhor para pensar no próximo. Nós precisamos deixar que as pessoas se encontrem, pois a gente precisa fazer o mesmo. Como pode dar de ombros para a própria imagem? Não fica uma cena bonita... Deixa eles irem, deixa eles tropeçarem com os seus próprios obstáculos criados e não traz remédio, deixa a ferida deles curar por si só. Logo mais, eles ...

Sobre se perder...

Certa vez, Anne Frank disse em seu diário: “ o papel tem mais paciência que as pessoas ”. Verdadeiro e atemporal. Quis navegar num mar de risos, os quais nenhuma onda forte derrubaria. Quis adentrar em florestas desconhecidas, as quais nenhum predador atacaria. Quis atravessar trilhos, os quais nenhum trem atropelaria. E o limite? Nem ao céu este chegaria. É profundo o gosto do prazer, mas crianças não pensam. Por isso, se cortam, se sujam, bagunçam e na escola (da vida e outras mais), prometem parceria eterna àqueles que um dia não lembrarão mais. Ou seriam àqueles que não iriam lembrar-se das crianças? Somos eternas crianças. Eu sou criança. “ Maior Abandonada” Um dia, ei de crescer. Um dia eu me afogo, me ataco, me atropelo... Sou o meu próprio perigo. Um dia... Eu (me) acho.