Era uma vez, duas almas contra o resto do mundo. Talvez, o fato de estarem juntos não significasse muito, mas sim a sintonia que havia. Era perfeita simetria... Coisa de ela estar pensando em uma música e de repente ele lhe envia uma mensagem com aquele trecho, coisa de olhar um pro outro e entender o diálogo que se transmite sem a fala. Declarações de amor mudas, onde se sabe a reciprocidade quando eles se entreolhavam e ficavam vermelhos de tanta vergonha. Ali surgiu um "eu te amo" que só uma espécie de plano cósmico seria capaz de capitar. 
Poesia e flor que um dia perde a graça e murcha. Mesmo que seja de repente, mesmo que seja apenas para um deles. Tudo virou de cabeça pra baixo do dia pra noite e o que era realização virou só desejo. 
Ela foi abandonada sem mais explicações que por mais que ela perdesse tempo tentando entender, não fazia sentido. E quanto mais ele explicasse, mais rancor ela criava. 
"Como eu que me protegi tanto, deixei-me ferir desse jeito?" E aí, a garota passava dias esperando um arrependimento, um engano, um erro brutal... qualquer coisa inaceitável de longe mas que para ela, era a salvação. Uma ligação que não precisasse dizer nada, mas que ela tivesse certeza que era só pra ouvir a sua voz, um anoitecer que virasse dia e tudo que ficou de cabeça pra baixo, desvirasse de vez. E detalhe: que fosse REAL, que ele não brincasse, que ele considerasse a garota como um ser humano que sofre e que merecia não passar por isso. Não dessa forma. Que ele tivesse motivos suficientes para fazê-la confiar naquele "olhar que tudo diz" novamente. 
Mas era tudo fruto daquela cabecinha que não aceitava o fim. Talvez nunca aceite pelo resto da vida. Talvez a maior pergunta que ela fazia a si mesma era: "O que houve de errado?" E mesmo que a resposta seja "Nada", não era o suficiente. Nada NUNCA é o suficiente pra acalmar um coração inquieto. 
E o que era realização virou só desejo. 
Ela perdia o tempo imaginando os dois fazendo compras no supermercado, levando o filho na primeira consulta médica, deitados no sofá do apartamento compartilhando a preguiça de uma tarde de domingo, cuidando do seu amado quando ele estivesse com aquela gripe danada... Imaginava até as brigas, quando ele colocaria aquela banda que ela não suporta pra tocar, ou quando ele não arrumasse a cama. Imaginava o casamento, todos descalços e felizes pela praia, flores por toda a cerimônia. Flores que agora murcharam... e ela se pergunta o que fazer já que ele seguiu em frente. 
Por mais que demore o tempo que for, certamente ela seguirá também, mesmo que seus passos tenham tendência a serem para trás. Ela já aprendeu uma vez e conseguirá de novo. Dessa vez será para nunca mais errar.

Comentários

  1. Essa coisa de seguir em frente é bem complicada. Mas a gente segue. Um dia acorda e segue.

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  2. putz, coração partido é uma merda. dizem que é necessário mas dói pra caramba. eu lembro que eu curtia uma fossa danada com aquela música do legião que falava "dos nossos planos é que eu tenho mais saudade" porque quando um relacionamento acaba, acabam-se também todos os sonhos que construímos para ele. e dói pra cacete...

    beijoca e fique bem.

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