Cidade vazia
Eram cinco da manhã, o cigarro já havia acabado, a bebida também, sem contar a si mesma. Estava um lixo... por dentro e por fora. Marilyn foi caminhando rua a fora, sozinha com seu salto alto e sua segurança baixa. Pegou o táxi, informou o destino e encostou sua cabeça ao observar tudo pela janela do carro. O dia estava frio, vago e na sua mente vinham lembranças de quando ela fazia esse mesmo percurso, porém, ao invés de estar dançando, bebendo e fingindo se divertir sozinha, ela estava com o amor da sua vida. Ainda era esquisito andar por aí e se preencher das coisas mundanas achando que iria voltar pra casa satisfeita, porque no fim só sobrava ela e um monte de recordações. Começou a reparar no quanto a cidade era vazia, mas não tanto quanto seu coração. Aquele ar gelado de um dia frio que acabara de começar a matava por dentro. A pobre Marilyn sempre foi assim: preenchia seu lastimoso tempo com isso tudo que ela chamava de diversão e quando acabava tudo, voltava a ver sua vida ...