Sobre alguns casos de amor por aí...
Pedro tomou nota de tudo que estava atormentando-o.
"É melhor encher várias folhas de papel, elas suportam mais do que a minha cabeça.." pensou ele.
Sem muitas introduções, vomitou:
"Que merda, ju.... o que foi que tu fez comigo? Eu tô na merda. Sério mesmo, você tem sido um fantasma durante anos que vem justo quando eu preciso dormir em paz. Queria que você soubesse disso, mas talvez eu não te entregue essa carta porque eu te conheço e sei que era pra você se sentir horrível por pegar um sentimento cheio de pureza como o meu e ter jogado fora, mas vc vai se sentir bem. Seu hobby. Tô tentando ficar bem, mas não sou mais o mesmo, eu devia ter vergonha na minha cara por ainda pensar em vc, mas tenho certeza que eu tô tendo aos poucos. Só o fato de te achar um lixo de pessoa, já é um começo. É engraçado como as pessoas misturam as sensações opostas, por exemplo: você dizia que me amava, mas enjoou da minha cara, nem tentou e fudeu com tudo sem pensar, mas eu nao vou te julgar não, porque eu te amo ainda, mas odeio você e o seu egoísmo."
Pedro escreveu tão espontaneamente que apenas leu tudo o que escreveu quando finalizou as últimas palavras, mas rasgou o papel e jogou fora. Decidiu não alimentar o hobby de Júlia.
Dias se passaram e ele continuara pensando naquela carta... "será que foi um exagero rasgá-la? Talvez não. Exagero mesmo seria entregar isso na mão da Júlia, ela não merece saber que eu ainda tô pirando."
No fundo, Pedro queria sim que ela soubesse que ele tava "pirando", afinal, seu instinto de autopiedade só queria que ela tivesse dó e culpa do quanto ele está destruído e voltasse a amá-lo (se é que um dia ela foi capaz de sentir isso). Pedro não queria se entender consigo próprio, ele queria deitar e rolar nos erros de antigamente, só tava esperando uma brechinha da Júlia. Essa que tá muito bem, obrigada, nem sonha que ele esteja querendo mandar sinal de fumaça, pois pra ela, o fogo foi apagado faz é tempo...
Nessas de pensar no que fazer pra exorcizar de vez o espírito maligno de Ju ou deixá-la possuir seu corpo pra sempre, Pedro decidiu cometer o pecado do perdão. Isso mesmo, decidiu perdoá-la por brincar com seu coração.
Novamente, escreveu um textão pra Júlia começando assim:
"Queria dizer que eu te perdoo. Vi alguém fazendo isso num seriado e tomei pra mim. A diferença é que o personagem foi falar cara a cara e eu, no auge da minha covardia, te mando um bilhete. Mas saiba disso, eu quero ser alguém melhor pra mim e isso inclui te perdoar. Acho que assim eu vou me desprender da sua sombra e ser o que eu preciso ser pra mim e pra alguém. Fica bem com o meu perdão."
Dobrou o papel sem dedicatória, ela iria saber quem a escrevia, pois foram tantas cartinhas de amor trocadas que aquela caligrafia era inesquecível. Colocou no bolso e saiu rumo à missão de libertação, "que coisa mais infantil em pleno século XXI mandar bilhetinho, ainda mais pra ex", pensou. Parou em frente à rua dela, procurou o lixeiro mais próximo e sem pestanejar, jogou o papel dentro. O motivo? Pedro se lembrou que o auge da covardia mesmo não era mandar uma carta ao invés de olhar no olhos, o auge da covardia era perdoar.
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