Sobre anjos na terra...

Era uma vez uma moça encantadora.

*Observação: não ache que pela história ter começado com um "era uma vez", isso é um conto de fadas. Não é, é vida real. Outra coisa: não teve fim, essa história continua por aí.

Mas então, essa moça encantadora não pára quieta num lugar, vive andando Brasils e mundos a fora e quando eu a conheci, eu pensei: "nossa, como ela consegue se desprender tão fácil assim das suas raízes e sair viajando por aí?" Mas, aí eu entendi que a alma da coisa é essa: se desprender. Até aí tudo bem... eis que finalmente essa moça veio morar aqui, na minha cidade. Passei a compreender que não se trata apenas de desprender-se de algo ou alguém, e sim o amor pelo que se exige fazer isso. Às vezes acho que ela se sente muito só. Às vezes tenho certeza disso, mas sempre a vejo sorrindo. E não é sorriso de só mostrar os dentes, não... É gargalhada mesmo, daquelas bem gostosas de se ouvir e daquelas que dá vontade de rir junto mesmo sem ter achado graça. Sinceramente, não sabia como ela conseguia, porque a vida não tá lá muito fácil pra ninguém. Cheguei a conclusão de que é esse jeitinho mineiro e paciente de ser que leva o verbo "viver" com mais doçura pra vida. Tem muitas coisas que ela faz com doçura também: beber (risos), cantar, conversar sobre a vida, ouvir o outro com o maior carinho do mundo, trabalhar e etc, etc e muitas doces etcéteras...
A moça encantadora bebia comigo, cantava comigo, conversava sobre a vida comigo, me ouvia com o maior carinho do mundo, trabalhava comigo e etc, etc e muitas doces etcéteras...
Virou passado pois ela se vai, mas não é aquele passado enterrado. É aquele passado gostoso de se lembrar, de saber que alguém que veio de longe e vai pra longe, passou por um lugar ínfimo que seja e deixou um rastro de carinho enorme.
Agora eu enxergo que a alma da coisa não é o desprendimento, e sim arriscar-se a arrancar corações e levá-los consigo e deixar pedaços do próprio coração onde esteve, pois o que alimenta a vida dela não é a solidão, não é o desapego, não, não, não, não é nada disso.
O que alimenta a vida dela é o afeto.
O desafio de conquistar novas pessoas num território que não é nem seu. e se der errado? A moça encantadora tenta de novo. Tem gente que nasce pra isso, e com certeza vieram diretamente caídas do céu com asas cortadas urgentemente para poder trazer um pouco de paz pra essa vida maluca.

Então, boa sorte, moça encantadora.
Faz o favor de espalhar esse teu amor por aí. O mundo precisa e você tem isso de sobra pra dar e vender.

P.s.: para uma amiga especial.


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