Menina cheia de devaneios, em qual mundo você foi parar? Mundo este que está longe de ser fora daqui, pois ele se encontra dentro de ti. E lá você se perde num sonho do qual já deveria ter acordado, mas a realidade nua e crua nunca foi algo que te agradou.
De vez em quando, encosta a cabeça no canto e derrama dois pinguinhos de lágrima, depois segura-as até elas voltarem pros olhinhos. "Está proibido demonstrar fraqueza, entendeu?" Pensa ela enquanto percebe que todos querem estar num mundo como o dela, mas não merecem. Aí é quando ela se orgulha de voar, de criar, de recriar,  de sonhar profundamente. Porque pra estar onde ela se encontra é preciso muito apreço, calor, lealdade, amor. Ela tem. E quem terá tanto quanto ela? Nem a coitada menina sabe. Por isso chora por dentro, pois o seu mundo interior é grande e solitário para caminhar sozinha e como diria o poeta: "poucos pegam em sua mão sem a intenção de soltá-la".
Não se sabe ao certo o que ela realmente quer, afinal, quem seria ou o que seria que a faria sorrir? Ela não sabe nos responder, só diz que se perde em multidões mas também não encontra salvação nenhuma na solidão. Nem amigos tem o poder de torná-la segura, nem aquele amor que um dia se foi mas um dia voltará a tornaria diferente.
Só o que ela lembra é que pra entrar no mundo lá fora doeu, é briga de gente grande e ela sabe que é só uma garota ainda.

Que seja, mas doeu. Agora ela criou um mundo seguro que não dói pra entrar, só corroe pra ficar. Mas ela não chora mais, está proibido demonstrar fraqueza.

Um dia há de passar.

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