Era um dia vinte e dois.
Mais precisamente de outubro de dois mil e quatorze.
Meu corpo ardia em febre e eu mal conseguia abrir os olhos, mas estava em pé. Talvez, o meu coração não estivesse tanto assim. Quer dizer, ele estava tentando se levantar depois de muitos tiros, facadas e maus tratos...
Lembro-me que foi um dia como outro qualquer, embora a fraqueza tomasse conta de mim, foi a última vez que me senti assim e espero não sentir-me de novo nem tão cedo.
Quando eu finalmente me livro de minhas obrigações, ainda me restava mais um compromisso e não, eu não queria ir. Eu mesma me pedia cama, mas eu não podia me acudir.
Fui. Sem saber o que me aguardava, cheguei ao que deveria ser pelo costume da coisa, a continuação de meu tedioso dia.
E aí recebo um vídeo, o qual devo assistir atenciosamente. Vídeo este que mudaria a minha vida daquele instante em diante. No qual, foi exposto para mim de uma forma que nunca presenciei, tamanho amor e importância.
Minha recordação busca lá longe e traz como se fosse agora aquelas mãos que tremiam ao esperar um sorriso e uma aprovação minha. E foi assim que se sucedeu.
Até chegar aqui, milhões de situações e acasos e destinos e lágrimas e risos surgiram e são bastante presentes na memória, mas não tanto quanto AQUELE dia vinte e dois. E se cheguei aqui para contar essa pequena história que até agora não tem fim, é porque essas situações e acasos e destinos e lágrimas e risos valeram a pena.

Trezentos e sessenta e cinco são poucos dias. Apenas parecem eternidade na impressão das coisas, mas quem disse que eu quero que apenas pareça? Eu quero a eternidade.

Com amor,

Para o amor.


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